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Por que te perturbas?

Nós o dissemos: a fim de esclarecer o seu futuro, o homem deve, antes de tudo, aprender a conhecer-se. Para caminhar em segurança é preciso saber para onde se vai. É conformando seus atos às leis superiores que o homem trabalhará, eficazmente, no seu melhoramento e no meio social. O importante é discernir essas leis, determinar os deveres que elas nos impõe, prever as consequências de nossas ações.

No dia em que estiver impregnado do seu papel, o ser humano saberá melhor desprender-se daquilo que o diminui e o rebaixa; saberá governar-se sabiamente, preparar através dos seus esforços, a união fecunda dos homens numa grande família universal de irmãos.

Mas estamos, ainda, distantes desse estado de coisas! Embora a Humanidade avance nesse caminho do progresso, pode-se dizer, entretanto, que a imensa maioria dos seus membros caminha através da noite escura, ignorando a si mesma, nada sabendo do objetivo real de sua existência.

(...) Ignorante de seus destinos, flutuando, incessantemente do preconceito ao erro, o homem maldiz, às vezes, a vida. (...)

Por que ele é assim? (...)

A matéria domina como soberana no nosso mundo. Ela nos curva sob seu julgo, limita nossas faculdades detém nossos impulsos para o bem, nossas aspirações para o ideal.

Assim, para discernir o porquê da vida, para entrever a lei suprema que rege as almas e os mundos, é preciso saber libertar-se dessas pesadas influências, desligar-se das preocupações de ordem material, de todas essas coisas passageiras e mutantes que obstruem o nosso espírito, obscurecem nossos julgamentos.

(...) Por um esforço da vontade, abandonemos por um instante, a Terra, elevemo-nos a essas alturas imponentes. (...) assim como o viajante, extraviado nas ondulações do terreno, pode, subindo a montanha, vê-las fundirem-se num plano grandioso, assim, a alma humana, longe dos ruídos da Terra, longe dos baixios escuros, descobre a harmonia universal. O que embaixo parecia contraditório, inexplicável e injusto, visto do alto, liga-se, clareia-se; as sinuosidades do caminho endireitam-se; tudo se une, encadeia-se; para o espírito deslumbrado surge a ordem majestosa que regula o curso das existências e a marcha dos universos. (...)

A imortalidade, semelhante a uma corrente sem fim, desenrola-se para cada um de nós na imensidão dos tempos. Cada existência é um elo que se liga para trás e para adiante em um elo distinto, a uma vida diferente, mas solidária com as outras. O presente é a consequência do passado e a preparação do futuro. De degrau em degrau, o ser eleva-se e cresce. Artesã de seus próprios destinos, a alma humana, livre e responsável, escolhe seu caminho; e, se esta estrada é ruim, as quedas que nela terá, as pedras e as urzes que a rasgarão, terão por efeito desenvolver a sua experiência, esclarecer a sua razão nascente.

 

(Livro: O Porquê da Vida - Léon Denis, cap. V)